Estudo indicou que a forte pressão e o estresse durante o trabalho pode aumentar em até 22% as chances de desenvolver derrames e AVCs
Segundo um estudo da Universidade Médica de Guangzhou, da China, a incidência de derrame e o tipo de trabalho desempenhado podem estar conectados, especialmente se for considerada quantidade de estresse que essa função gera. Para chegar a essa conclusão, a pesquisa coletou os registros médicos de 138.782 pessoas e acompanhou o histórico desses pacientes por um período de três a 17 anos.
Os pesquisadores classificaram os empregos das pessoas em quatro grupos, de acordo com o nível de controle que elas tinham sobre as suas tarefas e levando em consideração diversas dificuldades, como prazos e desgaste mental. A partir daí, foram criadas as categorias trabalho passivo, com baixa demanda e controle, a exemplo de zeladores e artesãos; trabalhos ativos, com alta demanda e alto controle, o caso de médicos, professores e engenheiros; baixo nível de estresse, ou seja, baixas demandas e grande nível de controle, como arquitetos e cientistas; e, por fim, alto nível de estresse, aqueles que possuem alta demanda e pouco controle, como é o caso de enfermeiros e garçons.
A partir da análise do registro de cada paciente, os pesquisadores encontraram uma associação muito forte entre a ocorrência de derrames e o estresse do trabalho. O grupo classificado como contendo alto nível de estresse apresentou, em relação aos demais grupos, risco 22% maior de sofrer qualquer tipo de derrame e cerca de 58% de chances de desenvolver isquemia cerebral, um tipo de Acidente Vascular Cerebral (AVC) que indica falta de sangue no cérebro. O estudo ainda indicou que as mulheres possuem 33% a mais de chances de desenvolver um derrame, se expostas à mesma situação de estresse que os homens.
A pesquisa ainda alertou que um dos motivos para esse quadro alarmante pode estar diretamente relacionado com a forma de lidar com situações de estresse, como a má alimentação, tabagismo, ausência de atividades físicas e insônia. Além disso, pressão excessiva durante a jornada de trabalho pode alterar a produção de hormônios no sistema nervoso central, acelerar o envelhecimento celular e estimular a secreção de cortisol, fatores associados ao derrame. Vale lembrar que, de acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, para se prevenir é essencial incorporar hábitos saudáveis e priorizar a qualidade de vida, medidas que também servem para amenizar a incidência das doenças isquêmicas do coração, uma das doenças que mais afastou os trabalhadores brasileiros. Também vale ressaltar que o estresse pode prejudicar diversas áreas da saúde, como a incidência de dores nas costas, transtornos de humor e depressão laboral.